29 de fev de 2012

Eu sempre quis muito*


Fico pensando quando (ou se já, e não sei) o Facebook vai pôr a canção de Roberto como trilha de um reclame. 


Mas imagino que o site-aplicativo-império-grandeirmão-serviçogratuito(?) não careça de reclames, além dos que fazem seus próprios usuários ao usá-lo (ou até sem usá-lo, como eu agora...)

De qualquer forma, espero que nunca.

Claro que alguém já escreveu sobre a óbvia relação (que me veio - como tantas vezes - em meio a um assovio), no caso Marcia Tiburi, com muito mais propriedade e profundidade.


*Caetano Veloso, Muito

25 de fev de 2012

Godot já vem


Casa de repouso para idosos na Alemanha instalou falso ponto de ônibus em frente à clínica, para impedir que os velhinhos com Alzheimer fujam.

Diz a notícia (de 2008 - o vento sopra cada vez mais devagar por aqui...) que eles usam a memória de longo prazo (a de curto já era) e associam a placa verde e amarela com a ideia de ir pra casa, mesmo que muitas vezes o lar não mais exista, como na canção.

Constatada a evasão do macróbio, os funcionários da clínica vão na calçada, abordam o paciente, informam que o ônibus vai atrasar uns cinco minutos, e convidam-no para entrar e tomar um café.

24 de fev de 2012

Há mais de dois anos

O site Retronaut coleciona imagens (fotos, vídeos, anúncios) curiosas dos últimos dois séculos. Pode-se navegar por década ou tema. Apesar das imagens serem da cultura americana, em muitos casos dá pra acrescentar uns cinco ou dez anos (ou trinta...) e reconhecer nossa pré-história visual moderna.





9 de fev de 2012

O consumidor tem sempre razão


Pra mim uma de batata, por favor, enquanto assisto (só se for no Youtube...) a uma novela escrita por um autor e não um grupo de foco, refletindo sobre a construção social dos sabores que leva a coisas como chocolate sabor chá verde, pasta de dente sabor uísque e pepsi sabor pepino.

Tudo notícia velha, mas às vezes o vento sopra devagar até chegar aqui. Melhor assim.

Brasil abaixo

Como sempre, um lúcido e brilhante texto de José Miguel Wisnik sobre a dor e a delícia (no caso só sobre a dor) do jeitinho brasileiro, face ao desabamento no Rio.


Por que chamo a "gambiarra carioca" de "metafísica" ? Em outras palavras, porque ela está em toda parte e em nenhuma, permanecendo silenciada como uma entidade inconsciente. O meu amor tresloucado pelo Rio de Janeiro (ninguém duvide!) tem me feito persegui-la, fascinado, perplexo, e ser perseguido por ela."

O tom do trecho acima me faz crer que Wisnik fala do Rio para identificar em estágio grave uma questão que é além-carioca, brasileira.

O conceito de gambiarra carioca havia sido por ele exposto anteriormente nessa coluna acerca do desastre do Bonde de Santa Tereza.

Alguns virais são mais legais do que outros


August Landmesser, alemão que não fez a saudação nazista em 1936, no lançamento de um navio de guerra em Hamburgo.

8 de fev de 2012

Can´t buy me love 2


Tomara que se espalhe esse bordão de resistência, mencionado por Francisco Bosco em sua coluna de hoje.

A frase é criação de amigos seus, e o texto mostra o absurdo da propaganda forçada que fazem os usuários das bicicletas compartilhadas na orla.

Outro absurdo correlato - talvez mais profundo e aberrante - mostrado na coluna é a apropriação da cor laranja pelo mesmo patrocinador, assunto tratado antes por Eugênio Bucci.

Se alguém viu as cores desse post e lembrou de um banco, sabe do que falo.

Pra mim, laranja será sempre esse:


4 de fev de 2012

Cores Vivas

Meu pai, que faria 80 anos hoje, tinha um caderno de letras de música (ah, a genética...), mais precisamente de tangos, cuja epígrafe era "se se pudiera pintar la musica, el tango tendría todos los colores del arco-íris". Pesquiso e pesquiso no Google e não encontro nenhuma menção à frase (exceto escrita por mim mesmo). Mas encontrei essa:

Si yo tuviera que pintar el Tango, los colores con los que simbolizaría el Tango, serían el rojo y el negro. Porque hablar de Tango es hablar de encuentros y desencuentros, de amor y muerte, de argumentos viejos como el tiempo llevados al Tango. (http://maitemaine.galeon.com/carta_4.htm - grifo nosso, por supuesto).

Tá certo, um tango rubro-negro seria uma boa homenagem. Na ausência, Volver, que alguém por aí já disse (chega de Google!) ser o maior tango de todos.

Quanto à escolha de imagens, eu também não entendi, mas afinal "Poesia não é para entender, é para incorporar. Entender é parede. Procure ser uma árvore." (Manoel de Barros)


Can´t buy me love

Embora tenha certeza (?) de ter lido, em 91, essa entrevista de Caetano em que ele já contava por alto a história, devido a alguma amnésia seletiva não fazia ideia, até ler há pouco tempo uma de suas colunas (em jpg, é melhor salvar a imagem e depois ampliar), de que a glosa ao mote "dinheiro não" que é a canção Beleza Pura era inspirada em versos de  Elomar:

O verso “Não me amarra dinheiro, não”, que abre “Beleza pura”, se inspirou numa canção que amei desde a primeira vez que ouvi. Roberto Santana me apresentou a um amigo seu que cantava uma cantiga deslumbrante: “Apois pro cantador e violeiro/ Só há três coisas nesse mundo vão:/Amor, viola, alforria e nunca dinheiro/ Viola, alforria, amor. Dinheiro, não.” Sempre quis crer que foi do próprio Elomar, genial autor da canção, que a ouvi pela primeira vez. Mas Santana, que já gosta de pôr em dúvida minha memória, mesmo em coisas de que tenho certeza, aqui teria muita chance de me desmentir com razão. [...] Meu sonho seria cantar, num próximo show, Violeiro com a BandaCê, mas não me conformo de não atingir o grave na palavra "cantador", que na voz do autor soa simplesmente divina. Acho que não vale a pena mudar de tom: tem que ser aquele som da voz de Elomar no grave. O que importa é que cada repetição do refrão de "Beleza Pura" possa trazer ao pensamento do ouvinte o conteúdo de Elomar.

A letra de Elomar fala ainda em "ness(t)e mundo vão", que Caetano usou anos depois como verso de Branquinha, e beleza pura invertida foi parar em Sina, de Djavan.


É de certa forma irônico e indicador da imensa força contrária do "dinheiro sim" (ou do "dinheiro só" - bem pior) que Beleza Pura tenha virado título e música-tema de novela e que ao ver o vídeo no Youtube apareçam anúncios oferecendo crediário.


Mas (ou por isso mesmo) a beleza das canções e da ideia permanece, pura.



3 de fev de 2012

Sendo outros



Campanha publicitária de um sebo de livros na Lituânia.

Vale ver as outras fotos e ler o post de Eucanaã Ferraz no Blog do IMS, falando, a partir das imagens, de poesia, prosa, linguagem, leitura: "Um dos grandes prazeres a que acedemos na leitura é mesmo este: ser o que não se é".

1 de fev de 2012

Mas nós sim

Tostão, sempre claro e modesto, escreveu coluna sobre seus 65 anos, o Barcelona etc., com título tirado da canção de Marina e Antonio Cícero.

Segundo o próprio, em declaração disponível na memória do blogueiro, nesse jogo aí de baixo ele deu "os dois melhores (mais importantes?) passes de minha vida". Eu acrescentaria um terceiro, nesse mesmo jogo, esse para o gol que Pelé não fez. De qualquer forma, agradecemos todos.



passes de Tostão para os dois gols da virada e 
para um quarto gol de Pelé 
que não houve mas ficou famoso
Brasil 3x1 Uruguai
Guadalajara, 17/07/70

Or not

O dilema e o conflito de usar a tecnologia (e às vezes viver dela) sem deixá-la nos afogar.

Texto em inglês de Brian Lam, um cara que escreve tipo um guia de sugestões de compra de artefatos tecnológicos (tá bom, gadgets) e largou do face, twitter etc., usando o tempo livre pra ir à praia, cozinhar, exercitar-se, ver os amigos (offline), ler, escrever poemas, ir a museus (também um dos benefícios [ou não] de ser abandonado pelo grande amor, segundo Chico Buarque.).

Citações no texto de Thoreau, Unabomber, Clay Shirky (quem quiser saber mais sobre o pensamento desse cara, tem um vídeo do TED) e no final um vídeo da versão original da ótima canção Everybody´s Talkin´, do filme Perdidos na Noite, citada na trilha sonora de Forrest Gump na cena em que o Tenente Dan sai do estúdio de TV e a rua novaiorquina está coalhada de táxis amarelos, tipo uma atualização pós-tudo de um quadro de Van Gogh.

de novo, via kottke

Cada um sabe de si*

Achei muito bom esse conselho, meio à la Seth Godin: "Nunca caia na besteira de achar que alguém conhece seu negócio melhor que você" (tradução livre minha).

Naturalmente, achei a frase no site de uma consultoria de negócios, o que deve querer dizer alguma coisa, mas, por favor, não me perguntem.

* trecho de Pecado Capital (Paulinho da Viola, 1975)